Ipojuca

Ipojuca foi uma das primeiras e mais importantes regiões para o período colonial. Em 1560, suas terras férteis e ricas em massapê já começavam a serem exploradas, após a expulsão dos índios Caetés e de outras tribos do litoral sul. É do termo indígena iapoiuque (água escura) que deriva o nome do Rio Ipojuca.

Rapidamente a cultura da cana-de-açúcar se desenvolveu e incentivou a fundação de vários engenhos que, durante muito tempo prosperaram. Mas, antes da intervenção de qualquer povo, já era bonita por natureza. Os cenários exuberantes servem de colírio para os olhos dos visitantes que encontram, em um só lugar, manguezais, cachoeiras, praias e trilhas ecológicas. No decorrer dos anos, o município foi ganhando cada vez mais graça e beleza.

As igrejas nos ajudam a contar parte da história deste lugar. A Igreja e o Convento de Santo Antônio (Santuário do Senhor Santo Cristo), por exemplo, datam do século XVII.

As demais edificações religiosas são mais recentes, a maioria do princípio do século XX. Segundo a tradição, o atual distrito é a vila mais antiga, do século XVI, quando as terras pertencentes aos indígenas foram tomadas e seus donos escravizados por elementos das famílias Cavalcante, Rolim, Lacerda, Acioli e Moura, com ajuda dos negros africanos, construíram engenhos e desenvolveram os canaviais. Logo levantaram uma capela sob a invocação de Nossa Senhora do Ó que, no século XVII, se tornou Freguesia, a Igreja tem na frente, um Cruzeiro de alvenaria. Já a Igreja de Nossa Senhora da Conceição do Outeiro, em estilo maneirista, se destaca por estar localizada no Monte do Outeiro, em um mirante natural com altitude média de 90 m. Deste ponto, tem-se uma maravilhosa visão das praias de Serrambi, Toquinho e Maracaípe, além de um extenso canavial.

Na Ilha de Tatuoca, marcada pelo estuário dos rios Tatuoca e Massangana, a vegetação é de mangue bem desenvolvido, de restinga e arbórea. Em outros pontos, prevalecem os coqueiros. Para os mais aventureiros, as cachoeiras são uma boa pedida. A do Crauassu nasce de afloramentos rochosos por onde corre o rio que dá nome à cidade.

Outra opção é conhecer a Cachoeira e Pedra do Engenho Maranhão, com afloramentos rochosos que compõem o lugar são de beleza peculiar e dão origem a inúmeras piscininhas. As duchas e os escorregos são mais recomendados aos aventureiros, mas é preciso ter cuidado, pois alguns espaços são perigosos.

Curiosidade natural é a presença de uma chaminé de vulcão extinto com o nome de “ Neck Vulcânico”, que fica no percurso das terras da Usina Ipojuca. O “Neck” tem cerca de 20 m de altura.

Ainda para os amantes da natureza, o Parque Natural Estadual de Suape é parada obrigatória. Com uma área de 1608 ha, a reserva é formada por remanescentes de Mata Atlântica e pelas águas da Represa de Utinga. Aves e répteis podem ser observados. A Mata do Outeiro é uma RPPN – Reserva Particular de Patrimônio Natural de extrema beleza natural.

Um outro roteiro, não menos interessante, é o dos engenhos. A visita às terras do Engenho Gaipió é um passeio imperdível. Esse engenho, um dos mais tradicionais de Pernambuco, ficou famoso durante a Revolução Praieira. Ao visitar este engenho, outros atrativos merecem atenção, como o Rio Gaipió e o Morro da Pedra Selada.

O Engenho Canoas também se destaca. Fundado em 1876, pertenceu ao Tenente Cel. Antônio Juvêncio Pires Falcão, líder rebelde da Vila de Nossa Senhora do Ó. Reativado e produzindo mel, rapadura e cachaça. Ipojuca esconde, por trás de cada esquina, histórias mil de um passado longínquo. Na Praça do Baobá está fincada no chão uma trazida pelos africanos, na época da escravidão. Para este povo, o Baobá é sagrado, é tido como a árvore da vida, porque pode atingir a idade de mil anos ou mais. Também a chamam de árvore mãe, pois ela dá alimento, água, roupas, material para cobrir cabanas, cola, remédios, abrigo, enfeites, e até doces. A lenha não pode ser fornecida por que sua casca é muito úmida, pois é capaz de armazenar grande quantidade de água. A lenda conta que o diabo arrancou a árvore, enfiou os ramos na terra e deixou as raízes para o ar. Assim, muitos a conhecem como árvore de cabeça para baixo.

A culinária do município é apuradíssima. À base de frutos do mar, destaca-se a fritada de caranguejo. Mas para os mais sofisticados, Porto de Galinhas dispõe de um pólo gastronômico para ninguém botar defeito. Os restaurantes têm especialidades diversas que vão desde comidas tropicais exóticas, até a tradicional macaxeira com charque, passando por pizzas, crepes, saladas, churrascos e é claro, peixes. Na praia, é fácil encontrar as cocadas de costume e outras, não tão comuns, como é o caso das de abacaxi e maracujá. Do caldo de cana e do mel nem é preciso falar, mas a geléia de araçá e os licores de frutas regionais merecem atenção e degustação especial.